Não é mole escolher o nome de um filho. Uma decisão que vai acompanhá-lo o resto da vida e cujo critério principal é totalmente subjetivo. O pai e a mãe têm que gostar do nome. Só que a opinião de cada um varia com as suas experiências. O nome que um acha bonito, é o mesmo do colega mala que infernizava a vida do outro. Pra diminuir as opções eu e minha digníssima começamos a estipular critérios puramente objetivos:- Não será um nome composto (sou traumatizado de meu nome quilométrico, um nome simples tá bom)
- Não pode ter uma grafia dúbia ou estranha, que obrigue-o toda vez a ter que explicar como escreve (este é o trauma dela)
- Não pode ser óbvio criar um apelido sacana ("Tomás" tá fora da lista)
- Não pode ser nomes de ex-namoradas(os) de nenhum dos dois (nesta reduzimos bastante os nomes de homens!)
- Não pode ser um nome tão comum que terá 10 iguais na turma
- Não pode ser um nome tão raro que seja sacaneado por ser diferente
Hoje em dia, um bom número de maternidades colocam na Internet a foto e nome dos bebês recém-nascidos. E não tem jeito, tudo indica que o meio social de meu filho será mesmo a classe média da Zona Sul do Rio de Janeiro. Taí a solução, pegar o nome dos bebês nascidos na Casa de Saúde São José e na Perinatal, duas das principais maternidades cariocas na Zona Sul. Fiz um robôzinho em Python para visitar as páginas de cada criança e extrair o nome e sexo das crianças nascidas de 2 anos pra cá. Um outro programinha pega estes dados e desenha um gráfico. Eis aí o resultado dos dados de junho de 2005 a maio de 2007:
Dá pra ver que os nomes de apóstolos e anjos estão populares entre os homens. Gabriel tá em primeiro, depois há um monte de Pedros, Lucas, Rafaéis, Miguéis, Matheus, Mateus... Epa! Temos outro problema aí. Há nomes iguais com grafias diferentes. Veja os Arthur e Artur, ou Luís, Luis e Luiz, ou Sofia e Sophia. Até podia resolver isto com algoritmos complicados como soundex ou um fuzzy matching de strings, mas fui na solução mais simples de manualmente fazer uma lista de nomes para unificar as grafias. Alguma duplicação deve escapar, mas não tem problema. Dei preferência à grafia brasileira, assim entre Kayky (sic) e Caíque, fiquei com o segundo. Outra questão são os nomes duplos. Se lembram que eu não quero um nome composto? Então também peguei apenas o primeiro. Agora o gráfico ficou deste jeito:
Sem os nomes compostos não teve pra ninguém. João e Maria foram os campeões. O engraçado é ver que nomes que eram comuns na minha geração, como o meu, agora gozam de pouca popularidade. Viraram nome de velho:-( É divertido ficar analisando a freqüência dos nomes. Preparei os arquivos PDF abaixo pra compartilhar a brincadeira com meus 3 leitores. Olhe você mesmo os dados: - Gráfico de nomes de bebês cariocas, é a versão sem pós-processamento
- Gráfico de nomes de bebês simplificado, é a versão com grafias unificadas e considerando apenas o primeiro nome
No fim das contas, tomei mais uma lição de desenvolvimento de software. A primeira versão que fiz foi um bacalhau, apenas testei interativamente. Nem pensei em guardar o código de testes. Escolhemos o nome de nosso filho e joguei tudo fora. Eis que em menos de dois anos depois o software foi novamente necessário. Minha mulher ficou grávida de novo! Como uma das maternidades mudou o leiaute de seu sítio, tive que perder um tempo debugando para consertar o programa. Como sempre, um tempo maior do que teria gasto para guardar os testes iniciais. Mais uma vez caí na balela de que "nunca vou precisar de novo deste código".
Depois de tanta discussão, acabou que meu primeiro filho nasceu sem nome. Minha mulher não me deixou juntar o nome de meu pai e meu avô e chamá-lo de Reginaldo Aniceto. Somente depois de vermos a cara dele é que virou o Leonardo. Faltam menos de 3 meses e pelo visto o próximo vai pelo mesmo caminho. Alguma sugestão?
3 comentários:
Essa história de jogar fora scripts que a gente faz ad hoc para simplificar a vida é uma coisa... Durante muito tempo eu joguei fora meus bash scripts porque eu achei que bash scripting era algo que eu nunca ia esquecer... até que eu passei um tempo usando windows e quando eu precisei fazer um bash script depois de dois anos foi aquela porcaria...
O importante é comentar o que vc faz... todo bom programador sabe disso, mas quando se trata desses mini-códigos que a gente usa pra simplificar nossas vidas, a gente esquece de seguir as boas práticas!
Muito bom toda sua explicação e divertida, estou procurando um nome para meu filho e com seu texto pude dá umas boas risadas, bem legal a forma que pensou em resolver a situação, falo isso porque sou um analista de sistemas que tenho mais a função de programar...
Um abraço
Muito bom toda sua explicação e divertida, estou procurando um nome para meu filho e com seu texto pude dá umas boas risadas, bem legal a forma que pensou em resolver a situação, falo isso porque sou um analista de sistemas que tenho mais a função de programar...
Um abraço
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