Existem diferentes maneiras de se escolher os caminhos que serão pavimentados no gramado de uma praça. Uma é fazer uma planejamento antes da construção. Provavelmente a decisão de onde passarão os caminhos terá apenas motivos estéticos, mas você bem poderia realizar um detalhado estudo. Dias e dias serão gastos filmando o tráfego de pedestres, analisando padrões das pessoas indo e vindo. Depois de muita grana gasta você terá informações precisas de onde as pessoas passarão e poderá pavimentar exatamente aí os caminhos no gramado. Depois de pronto, a própria construção da praça mudará os padrões de ida e vinda de pedestres. Pronto, melou todo seu planejamento. Outra maneira é simplesmente fazer o gramado e esperar um tempo. A grama morrerá nos caminhos onde as pessoas mais passam. Aí é só pavimentar estes caminhos. Isto é o que se chama de design emergente.
Se sua aplicação for minimamente complexa, mesmo que você planeje tudo nos mínimos detalhes, não há como prever como os usuários interagirão com ela. Se você trabalhar em uma companhia com bilhões no banco, poderá até instrumentalizar suas aplicações para monitorar como são usadas. Cada clique e opção selecionada será gravada, enviada para o Big Brother e estatísticas serão feitas. Com o feedback, poderá destacar comandos muito utilizados que ficam escondidos, remover botões proeminentes que nunca são clicados, ou simplificar interações complexas. Duvido que você não se surpreenda ao descobrir os comandos mais utilizados do Word.
Você também pode descobrir os caminhos na grama deixados pelos leitores de seu sítio virtual. Sou fã de um pequeno e pouco conhecido software, o Pathalizer. Ele analisa os logs de seu servidor web e desenha um grafo dos caminhos mais comuns percorridos por seus leitores. Nunca vi algo parecido nem nos mais sofisticados que seja seu sistemas de análise de visitantes.
Não é uma aplicação de uso trivial. As novas versões têm um interface gráfica (que nunca usei) que deve facilitar. Provavelmente somente programadores conseguem utilizá-la. O poder da ferramenta aparece quando você cria expressões regulares para mapear os URLs de seu sítio em categorias (você usa URLs claros, não?). Isto permite visualizar como as pessoas navegam entre as seções em seu sítio, indo das páginas de navegação para as de conteúdo.
O processo básico é:
- divida duas páginas em dois tipos: páginas de conteúdo e páginas de navegação
- mapeie todas as páginas de conteúdo em grupos
- crie expressões regulares que casam os URLs de cada página de conteúdo a um grupo diferente
- configure o Pathalizer com estas expressões e rode-o em seus logs
/noticias/XXXXXX onde os Xs são números. Assim posso criar uma expressão regular para agrupar todas as notícias como uma bolinha só no gráfico: ^/noticias/[0-9]+$. Fazendo isto para agrupar as páginas equivalentes, veja como ficou o grafo (clique para ampliar):
O uso não é trivial, mas vale o esforço. Se você estiver planejando um redesign, são informações vitais. Dá pra ver caminhos que seus usuários fazem que você não planejou. Dá para descobrir a partir de que páginas eles se logam. As opções que você destacou mas que ninguém usa. Os insights são valiosos. Você poderá facilitar a vida de seus usuários. Pavimentar os caminhos mais usados. Construir pontes sobre os trechos lamacentos. Deixar o mato crescer onde ninguém anda. Aumentar os portôes por onde passa muita gente. E o mais importante: tampar os buracos onde todo mundo torce o pé.
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