segunda-feira, setembro 14, 2009

Dev in Rio 2009, eu fui!

Fui na primeira edição do Dev in Rio. O evento foi de primeira. Depois de descobrir que foi praticamente organizado só por dois caras, fiquei realmente impressionado.

As palestras foram de alto nível. No Dev in Rio pessoal sabia do que estava falando. Somente havia ido a um outro evento desta natureza, um da Locaweb, e achei um saco. Eram apresentações tecnicamente rasteiras, quase sempre fazendo propaganda de alguma coisa. Em troca de um lanchinho me amarraram frente a uma TV que só passava comerciais. Fiquei com a má impressão que no Brasil bom conteúdo só existe (às vezes) em eventos acadêmicos.

Vale a pena comentar as palestras. Depois da abertura, o primeiro a se apresentar foi o Ryan Ozimek. Ele ficou todo o tempo falando do Joomla, um CMS de código aberto. Foi quase nada técnico, falando mais da história e da evolução da comunidade. Não tenho a menor intenção de usar o software e cheguei a duvidar se o evento seria proveitoso. Achei a mais fraca palestra do dia.

A seguir o tema foi a Máquina Virtual Java (JVM) e como está sendo usada por outras linguagens. Uma dupla de apresentadores, Guilherme Silveira e Nico Steppat, deixou a palestra bem mais dinâmica e divertida, especialmente no início quando eles fizeram um diálogo bem platônico. Eles argumentaram que apesar de Java ter uma sintaxe verborrágica e ultrapassada, a JVM é tudo de bom. Rápida, segura, com um monte de bibliotecas, multi-plataforma, multithread etc. e tal. Terminaram dando um exemplo de um código Java chamar um código em ruby. Aí que achei que faltou completar. O exemplo que acho mais legal é exatamente o contrário. A linguagem dinâmica chamar Java e toda sua rica biblioteca. Encaixa bem no espírito da clássica Dicotomia de Ousterhout, em que uma linguagem mais flexível cuida da lógica principal de uma aplicação, funcionando como "cola" de uma camada inferior mais eficiente e rígida.

Depois do almoço, Fabio Akita fez a melhor apresentação do dia. Talvez por eu não conhecer muito de Ruby, foi onde mais aprendi. O vídeo com ele mostrando meta-programação em Ruby é excelente e provavelmente está lá no sítio dele. É o que uma informação técnica deve ser, repleta de informação. E o Google tá aí pra quem quiser se aprofundar nos assuntos mencionados.

Veio a palestra que eu mais aguardava, a do Jacob Kaplan-Moss, um dos criadores do Django. Gostei. Deu para conhecer mais a cultura e história deste framework web em que muito programarei ainda. Ele tem um jeito bem nerd e simpático dos rincões norte-americanos. Perdeu em ritmo e em conteúdo pro Akita, mas só esta palestra já valia a ida.

Fui dali para o dojo em Python. Apesar de já ter lido a respeito, nunca havia participado de um. Apresentaram o esquema do dojo e decidiram o problema. O importante é todo mundo aprender alguma coisa. O que foi aprendi foi que você não deve fazer sua primeira participação em um dojo sendo o primeiro a sentar no teclado:-) O primeiro teste é sempre idiota. Espere as coisas pegarem o ritmo para só então levantar a mão. Acabou meu tempo assim que comecei a esquentar. Depois achei o treco meio lento. Quando uma dupla fez seu terceiro teste que passou sem precisar de qualquer alteração no código, me deu uma angústia danada e saí correndo para a palestra.

Pena eu ter perdido mais da metade da apresentação do Jeff Patton. Ele é responsável por uma das minhas colunas preferidas da revista IEEE Software. Não pareceu ter grandes novidades, mas sempre é bom ter novos argumentos para design focado no usuário e desenvolvimento interativo.

Depois do bate-papo, todos foram convidados ao Lapa 40º para o #HoraExtra, isto é, o chopp. Mais uma bola dentro do evento, ter um chopp oficialmente divulgado. Mas amarelei:-( Estava cansado e ter ido sozinho me desanimou. Sinto falta de um convívio social para falar nerdices. Mas não tem problema, pelo visto não faltarão oportunidades nos próximos Dev in Rio.

Um comentário:

Henrique Bastos disse...

Olá Paulo!

Sensacional esse artigo! Explicita os detalhes que achamos mais importantes sobre o evento.

Muito obrigado por ter ido ao Dev in Rio.

Nosso intuito é reunir as pessoas, criar uma comunidade realmente ativa no Rio de Janeiro.

Espero que você possa participar dos próximos #horaextras e dojorios.

[]'s, HB